INSTITUCIONAL
Antônio Maronese, natural da cidade de Gorgo, na Itália, e viúvo de Magdalena Gasparotti, decidiu vender suas terras e desbravar o novo continente, e então embarcou com seus dois filhos, Luiggi Giovanni e Fosca, no vapor Lapitania com destino ao Brasil, chegando ao Porto de Santos em abril de 1892.

Luiggi Giovanni agora casado com Lúcia sempre residiu no sítio Santa Magdalena, no Bairro de Cascalho e assim como era na Itália se tornou vizinho do nono Luiggi Bertagna. Este sitio se localiza no município de Cordeirópolis/SP, onde criaram 11 filhos: José, Dusolina, Tereza, Pagina, Maria, Antônio, Jacob, Verino, Helena, Justina, Henriqueta.

Nesse sitio, Luiggi construiu sua própria casa, confeccionando seus tijolos e o seu madeiramento, sendo um ótimo pedreiro e carpinteiro. Aos poucos, foi cultivando a terra, tirando dela seu sustento, que vinha do café que, com isso, também alimentava 14 pessoas com arroz, feijão, milho e verduras que cresciam pelo cuidado das mãos calejadas de Luiggi e de seus filhos e filhas, estas mesmas mãos com que Luiggi fizera minuciosamente um engenho de cana-de-açúcar, feito de madeira e movido à tração animal e que fornecia rapadura e açúcar mascavo para adoçar a vida da família.

Helena Maronesi e Luiz Bertanha Como bom italiano, Luiggi tinha a sua parreira de uva cuidada com muito zelo e também tinha um pequeno plantio de fumo com o qual fazia seu próprio fumo de corda. Luiggi e Lúcia eram pessoas de muita fé e religião. Ele nunca deixava de ler a Bíblia todas as noites, com o auxílio de uma lamparina, e participava todos os domingos da missa em Cascalho, e Lúcia sempre rezava o terço à noite.

Trabalhava com seus filhos na Fazenda Santa Tereza e na Fazenda do Barreiro, para poder juntar mais dinheiro. Com uma família grande, o dinheiro para sustentá-la acabava sendo pouco, mas mesmo assim nunca faltou comida à mesa, comida preparada pelas mãos de Lúcia, tendo sempre muita polenta, que era feita quase sempre no jantar, acompanhada de almeirão e ovo, e, no café da manhã, a polenta que sobrara do jantar era aquecida na brasa do fogão à lenha e eles a comiam com leite e café. Das mãos de Lúcia também foi produzido muito queijo e macarronada, feita todos os domingos e servida sempre com a mesa cheia.

O tempo foi passando, e Luiggi nunca deixava de se reunir com a sua família e com a família do nono Bertagna, para conversar sobre suas observações da lavoura e do tempo, já que o clima no Brasil é muito diferente do da Itália, e também para rezar o terço. Mas no dia 31 de Janeiro de 1950, Luiggi faleceu, aos 80 anos, e foi sepultado no cemitério de Cascalho, ao lado de seu grande amigo, nono Bertagna. Lúcia continuou morando no Sitio Santa Magdalena com seu filho Jacob, que também permaneceu no sitio em Cascalho toda a sua vida, sempre cuidando dos afazeres da casa e da criação, mas no dia 30 de Janeiro de 1952, com 77 anos, Lúcia faleceu e foi sepultada juntamente com Luiggi Giovanni, seu companheiro de uma vida toda.

Os frutos da união de Jacob Maronese e Rosa Paiola, que ocorreu no dia 14 de Outubro de 1933, foram Anvaldo,Vanilde, Madalena, Sérgio, Zelinda, Terezinha e João Antonio. Sendo que João Antonio, casado com Aparecida Rita Brambillia que são pais de três filhos, Loiana, Maíra e João Henrique, que residem no Sítio Santa Magdalena nos dias de hoje.

A família Maronese deixou na história uma lição de amor, pois sempre teve um vínculo muito forte com seus familiares, estando sempre com as portas abertas para receber as visitas de parentes e amigos, que deixavam a casa sempre cheia. Esta família também acolheu em seu seio Anália, filha de Fosca, irma de Luiggi, que se casou com João Morei e foi morar em Dourados. Nesse sítio, também viveu um membro da família muito querido, Verino Maronese, que era irmão solteiro de Jacob. Ele foi sempre muito presente, dedicou toda a sua vida para criar seus sobrinhos e os filhos destes que por ali passaram, sendo considerado como avô pelos filhos de Joao Antônio e Rita, pois estes não chegaram a conhecer Jacob, que faleceu em 1977, mas encontraram em Verino todo o amor e carinho de um avô.

Rosa sempre foi muito religiosa, ensinando seus filhos e netos a rezar o terço, a participar das novenas, a estar sempre presente na missa da paróquia de Cascalho e a esperar pela festa do dia 15 de agosto, de Nossa Senhora da Assunção, com grande entusiasmo, sendo este um grande dia não só para nós, mas para todos os membros da paróquia.

O Sítio Santa Magdalena, que teve uma parte dos fundos desapropriada pelo governo para a criação do Centro de Citricultura Sílvio Moreira, possui 20 hectares voltados à agricultura orgânica, e está sob os cuidados de João Antônio, filho caçula de Jacob, e sua esposa Rita.
Atualmente Maíra Brambilla Maronesi, Engenheira Agrônoma graduada pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/USP é responsável técnica e presta cuidados especiais na administração e sustentabilidade do Sitio Santa Magdalena.
Família
Luiggi, Lúcia e seus 11 filhos - Cascalho 1920
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